20/03/11

escolhas...

O povo Líbio está a ser massacrado, pelo seu próprio exército, por terem em uníssono declarado o fim do regime ditatorial que com impunidade os "governava".
A comunidade internacional acordou, talvez com uns dias de atraso, para tentar colocar um ponto final na situação.

Se a memória não me falha o governo Português à uns tempos, achou legítima a invasão do Iraque e até mandou soldados para ajudar a controlar a situação. Agora, após uma decisão sabiamente ponderada, optou-se por não participar nas acções militares em solo Líbio.

Fica uma pergunta no ar, quem é que toma a merda destas decisões?


4 comentários:

Carlos disse...

São os países consoante os seus interesses!
Senão repara, uma invasão saí cara e estamos em crise, depois há o problema de não atacarmos demasiados países árabes para não dar a ideia que isto é uma cruzada contra o mundo árabe.
Há ainda a opinião pública, muitas pessoas enchem a boca com os direitos humanos e a paz e esquecem-se que por vezes tal não é possível sem recurso às armas, ou seja, falam de valores mas não querem sujar as mãos.
Por fim, há os que odeiam tanto os EUA que preferem lá no fundo o Kadhafi pois para o bem ou para o mal é um revolucionário de esquerda.
Estes são alguns dos aspectos que influenciaram a decisão aos quais se junta os interesses ocidentais não pelo petróleo líbio, mas sim pela estabilidade da zona para fazer descer o preço do petróleo nos mercados internacionais.

p disse...

Talvez a comparação faça algum sentido, sobretudo pensando no futuro imediato (no que vai acontecer quando o regime for derrubado), mas são coisas muito diferentes.

Quase todos os governos ocidentais mudaram de chefe e de cor entretanto, incluindo o nosso.

No Iraque houve uma intervenção de alguns países contra a ONU. O governo PSD/CDS da altura decidiu apoiar, contra a vontade do chefe supremo das forças armadas, o Sampaio, e acho que por essa razão quem para lá foi foi a GNR. O apoio militar português foi dado após os bombardeamentos, se bem me lembro. Foi uma decisão muito mais importante do que qualquer decisão que o governo actual pudesse tomar em relação à Líbia.

Na Líbia, houve uma decisão do conselho de segurança da ONU de impor a no fly zone, com o voto favorável de Portugal (acho que cabe ao governo, mas não tenho a certeza). Houve também um voto do parlamento europeu sobre a intervenção, não sei se com efeitos legais ou apenas simbólicos, com o voto favorável de todos os eurodeputados portugueses excepto os do PCP. Ou seja, há um consenso significativo e uma certa "legalidade", mas só para "cumprir a resolução da ONU". Não está prevista um intervenção terrestre, acho eu, e os EUA, escaldados, já vieram dizer que não vão mais além. Não percebo muito sobre isto, mas não creio que para bombardear e patrulhar o apoio militar português fizesse mais do que atrapalhar.

Se queres entrar em território polémico e, na minha opinião, mais interessante, diz lá o que achas que vai acontecer e o que achas que se pode fazer para que se cumpra a "vontade" dos líbios ou a democracia (mas eu não comento, que sobre isso então é que não sei mesmo nada).

Gersão disse...

Apesar de uma invasão terrestre não estar planeada, continuar com este plano de acção não sei até que ponto vai intimidar Kadhafi e companhia. Suponho que se a comunidade internacional não vir resultados, não vá recuar. Neste contexto todas as hipóteses devem ser consideradas de forma a evitar que a população sofra ainda mais nas mãos daquele regime.

Nos tempos que correm todas as causas são dúbias, no entanto esta parece-me justa e gostava de ver uma resposta do meu país à altura.

E como disse e bem o Carlos, neste caso, falar de valores sem sujar as mãos não é possível e sempre era uma boa oportunidade para dar um uso meritório aos F's.

Soluções? Não sei bem, o que sei é que com Kadhafi fora o povo Líbio poderá certamente aspirar a um futuro diferente, para melhor.

p disse...

Mas aí é que está, ninguém sujou as mãos e está por provar que alguém o vá fazer para impôr a paz e/ou a democracia quando o regime cair ou acabarem os bombardeamentos. Os resultados estão garantidos antes do jogo começar, só que o objectivo não é a libertação ou a democratização, mas sim impedir o massacre através da no fly zone.

Diferente nem sempre é melhor, embora eu também acredite que neste caso será.